convida para a palestra sobre poesia concreta, com Francisco K,
encerrando a 1ª etapa de seu ciclo inaugural (a 2ª etapa começará logo na semana seguinte),
na Livraria Sebinho (406 Norte, Bl. C),
às 19 h. (e pouco) do dia 14 de maio (segunda):
palestrA
POESIA
CONCRETA
(audio(re))vista
hoje
O palestrante e pretenso poeta, não sem alguma irritação com o epíteto de "concretista" que lhe é insistentemente atirado, resolve revidar com a questão: Was ist das – die Konkrete Dichtung? ("O que é isto – a Poesia Concreta?")
E intenta fazê-lo, sem dúvida, como alguém que foi formado nessa poética: tanto por seus poemas, como por suas proposições crítico-teóricas – e, também crucialmente, por seu modo de olhar (e traduzir) a tradição.
É sabido que a "poesia visual" existe, se não já nos primórdios da escrita, ao menos desde o período helenístico. Qual, então, a real "novidade" trazida pela poesia concreta, esse movimento coletivo e internacional dos anos 1950 e 60, que tem no Brasil seu mais rico e consistente centro irradiador?
A ideia de transpor para a forma escrita (visual) características do objeto/conceito denotado verbalmente corresponde a uma proposta poética ingênua (a "falácia icônica")? Como avaliar, no campo da poesia, a força e as limitações dos conceitos de ícone,de ideograma e de isomorfia ("conflito de fundo-e-forma em busca de identificação")? O que dizer, ainda, dos embates concretos de analogia e ironia?
Como transcorre, no tempo, a poética concreta (brasileira)? Como o plano piloto para poesia concreta (1958) sintetiza todo um percurso de pesquisas coletivas – e por que esse programa é sistematicamente descumprido nos lances criativos desses mesmos poetas que lhe sucedem?
Como considerar os movimentos que, no Brasil, surgem em oposição à poesia concreta – ou o que dizer da recepção (e seus desdobramentos) ao movimento no exterior?
E, afinal, como fica a poesia concreta (ou seu legado) no novo ambiente – digital e eletrônico – de trocas incessantes de textos + sons + imagens, num cenário aceleradamente mutante e saturado de informações?
[O palestrante se dará por satisfeito se conseguir responder, fazendo-se entendido, ao menos algumas dessas questões... para isso vai contar, é vero, com o poderoso auxílio do PowerPoint.]
Francisco K é poeta e ensaísta, com 5 livros de poesia publicados, além de Poesia? – e outras perguntas (7 Letras, 2011), coletânea de textos críticos (vários dos quais tratam da poesia e dos poetas concretos). Escreveu dissertação sobre o filme Limite, de Mário Peixoto.
É uma maravilha viver num país onde o Chico Buarque publica livros, Caetano Veloso inventa filme, Luiz Melodia, Seu Jorge e Paulo Miklos ( cantores do rádio feito Chico e Caetano )
atuam no cinema e Rubi nos arrasta sobre as tábuas do barraco de Dioniso em seu ditirambo. Em Consigo, o rapsodo canta e representa para nos livrar do meteoro em seu cordel desplugado. O corpo, a voz, o instrumento, o texto, o canto, a melodia, o cenário, a luz, a interpretação, a representação, a performance estão em mestiçagem nessa espetacularidade onde o Rubi inicia-se no território do artista-pensador que erige a sua própria obra nos atirando numa geografia do sensível. Os textos do Gero Camilo transformam-se em travesseiros para suportar a dor. Consigo é um iPod coletivo. Aqui o artista Rubi ( o ator e o cantor ) unem-se para rachar os muros de todas as prisões. A arte inter-semiótica do Rubi pisa com sua voz de um deus de carne sobre os livros para reverenciá-los em cena. Na nossa primeira caverna no início da humanidade, o canto, o desenho, o poema e a dança estavam amalgamados. Consigo consegue de forma atemporal cicatrizar as paredes das cavernas do nosso tempo dentro de cada um de nós. Viva o produtor Adauto Soares, a Cantora Célia Porto e o multi-artista Diego Azambuja ( sem eles, a nossa cidade ficaria sem realizar mais uma epifania com o Rubi). Evoeros.
Cinema marginal? Sem essa, aranha!– Cinema de Poesia e Invenção,
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Após dois eventos memoráveis, convidamos a tod@s para uma incursão no "cinema marginal", conduzida por um dos mais inquietos e instigantes artistas visuais de Brasília, Elyeser Szturm.
Este cinema pode ter seu marco inaugural situado no filme O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, muito embora esse lance cinematográfico seminal adote, crucialmente, estratégias tropicalistas. Um ano antes, um precursor "inculto (naïf) e belo": A Margem, de Ozualdo Candeias. Em 1969 surge, enfim, o marginal (im?!)propriamente dito, com O Anjo Nasceu e Matou a Família e Foi ao Cinema, ambos de Júlio Bressane, e A Mulher de Todos, de Sganzerla – precedidos, é verdade, por uma jogada assombrosamente antecipatória de Glauber Rocha, o filme Câncer (filmado em 1968 mas só montado em 1972).
O clímax da fertilidade udigrúdi (como Glauber batizou, sarcasticamente, o movimento) está no curto período de funcionamento da produtora Belair (1970), quando Bressane e Sganzerla realizam sete longas, exilando-se do país em seguida. Diversos outros nomes vão explorar, pelo menos até 1973, veredas estéticas próximas às por eles estabelecidas, tais como Neville de Almeida, André Luiz de Oliveira, Sylvio Lanna, Ivan Cardoso e José Agrippino de Paula.
O "cinema marginal" corresponde a um momento de desencanto que sucede às altas expectativas político-sociais que alimentaram o cinema novo – e mesmo ao embaralhamento e questionamento que o tropicalismo operou, com "alegre relativismo", sobre os elementos contraditórios da cultura brasileira.
Ao abrir mão das balizas da linearidade narrativa e da legibilidade segura, os filmes udigrúdi penetram em um território precário, dilacerante e desprovido de certezas, de onde engendram uma poesia áudio-visual da busca sem amarras, do auto-questionamento permanente, da reinvenção (afinal, jubilosa) do cinema.
Elyeser Szturm, professor do Instituto de Artes da UnB, vai nos levar à eletrizante descoberta da experiência cinematográfica dita marginal, uma das maiores contribuições brasileiras ao cinema do mundo, começando por instalar uma suspeita em relação a essa denominação.
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francisco k
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Cinema marginal? Sem essa, aranha!– Cinema de Poesia e Invenção,
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por Elyeser Szturm.
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SEBINHO
Data: 27/4 (sexta), às 19 h., na Livraria Sebinho (406 Norte, Bl. C)
As epifanias são concretas. Durante as comemorações da Bienal Brasil do Livro e da Leitura
e do aniversário de 52 anos de Brasília, uma epifania real lançou luz sobre a massa durante um show do Caetano Veloso na Esplanada dos Ministérios. Os curadores da Bienal usaram como critério artistas-escritores. No palco, nu com a sua música, quase a palo seco, Caetano, com o seu violão inicia com um acorde trocado cantando Terra. Antes de cantar a próxima canção, referindo-se à atmosfera da plateia e da noite, ele diz: tá muito bonito e eu quero estar à altura dessa beleza. Logo cospe docemente os versos de Odeio e para suavizar o desenho do seu roteiro canta Você é Linda. Esse mulato nato parecia estar no colo das pessoas presentes que em quase todas as canções
cantou junto com ele. Várias pérolas eram lançadas. Ele cantou Qualquer Coisa, Luz do Sol, Um Índio, Rapte-me Camaleoa. Imediatamente me lembrei do monge no Japão ao interpretar a peça-mítica Coração Vagabundo. Foi em Londres onde seu violão ganhou corpo e coragem e agora ganhava camadas percussivas em Odara, fazendo a multidão dançar e nos remetendo aos bons tempos da Banda Black Rio. Num breve intervalo comenta que do alto do palco ele podia ver a Praça dos Três Poderes e nos atira a pergunta: O QUE SERÁ QUE A GENTE VAI FAZER DISSO TUDO? Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro e Caetano erige um platô de perguntas.
A canção Flor do Cerrado que fez para a Gal encaixou-se ao roteiro como uma homenagem carinhosa e explícita para a aniversariante. Logo segue cantando Por Quem? Aqui seu modo de cantar nos lembra de imediato a forma de cantar de sua mãe e também mãe de sua voz. Com um acompanhamento do mar de vozes, ele canta Desde que o samba é samba. Desde que Caetano é Caetano o samba esteve em seu sangue de roda em Santo Amaro ou em Guadalupe.
Nossa fé na festa aumenta quando Caetano interpreta Milagres do Povo fazendo ecoar pela Esplanada palavras que ainda estão cicatrizando-se em nós: Quem descobriu o Brasil? Foi o negro que viu a crueldade bem de frente e ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente. É tão raro um cantor de rádio ser um pensador que com seu cantar nada vagabundo melhora o mundo. O público mais uma vez cantou com ele Cajúina, Trilhos Urbanos e Nosso Estranho Amor. O coro ficou maior com Sonhos e Sozinho do Peninha e Leãozinho. Parecia que todo o Barroco de Santo Amaro saia pela voz do baiano e deslizava pelas curvas contemporâneas da arquitetura de Oscar. Mais uma vez, apenas com o seu instrumento fez a massa mexer em transe com Nine Out Of Ten e Tieta. Sem perceber a noção do tempo como num encantamento o show acaba. A multidão não parava de aplaudi-lo. Caetano deixa o palco e sob aplausos de todas as camadas sociais ali presentes, ele retorna para interpretar Força Estranha e Alegria Alegria ( aquela nossa conhecida canção que funda a ultramodernidade na música popular brasileira ).
Na canção Livros que não estava no programa ele afirma : Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (E, sem dúvida, sobretudo o verso) É o que pode lançar mundos no mundo. Na noite do dia 22 de abril de 2012, seu poema-canto realizou-se com júbilo nos apontando um outro mundo menos bárbaro e mais doce.
Debates, palestras e mostras de arte compõem projeto Arte em Aberto
Publicação:11/04/2012 CORREIO BRAZILIENSE
Começa hoje, às 19h, na livraria Sebinho, o projeto Arte em Aberto, composto de debates, palestras e mostras de arte. A programação homenageia os 30 anos do grupo de intervenção artística Heleura, que funcionou durante cinco anos, a partir de 1982, na Universidade de Brasília. Para Francisco Kaq, coordenador do evento, o projeto buscará refletir sobre as correntes modernistas em tempos contemporâneos. “A ideia é repensar os movimentos do século 20 que foram esquecidos, mas ainda têm muito para contribuir”, explica.
O compositor e escritor Jorge Antunes abre a programação, com a palestra Qualquer texto em português pode ser musicado? , na qual mostrará como encontrar técnicas para transformar qualquer texto, mesmo não poético, em letra de música. Amanhã, Teresa Labarrère e Hilan Bensusan fazem a estreia mundial do filme Dexistência, pulsão de pausa, seguida de debate.
O artista plástico Elyezer Sturm fecha o primeiro ciclo do projeto no dia 27, com o debate Cinema marginal? Sem essa, aranha! — Cinema de poesia e invenção, na qual analisará trechos de filmes da década de 1960 para investigar a tendência cinematográfica brasileira. E em 9 de maio começa a segunda parte. Edgardo Loguercio, Fernando Marques, Luís Roberto Pinheiro, Paulo Siqueira e Severino Francisco, entre outros, falarão sobre temas como música, poesia e tropicalismo.