Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

tropicalismo e pós-tropicalismo

 

 

 

o projeto ARTE EM ABERTO chega ao final de sua programação inaugural (duas sequências de palestras/apresentações neste 1º semestre de 2012) - sem sabermos o que sairá daqui - nada ou uma agitação intermitente - convidando
a todos para a instigante conversa com SEVERINO FRANCISCO sobre
TROPICALISMO E PÓS-TROPICALISMO (relação com cinema e arte de vanguarda)
 
no SEBINHO (406 N), dia 29 de junho (sexta), a partir das 19 h.
 
 
 
O Tropicalismo, em sua breve e febril existência como movimento (1967/68), pôde incorporar e condensar muitas das energias que estavam no ar naquele momento culturamente explosivo.
Em um lance talvez inédito, a MPB passa a dialogar intensamente com as experiências mais avançadas de outros campos artísticos.
Em relação ao cinema, devemos enfatizar o impacto deflagrador de Terra em Transe  - quando Glauber leva o Cinema Novo à encruzilhada estético-política - e de alguns filmes do endiabrado Jean-Luc Godard. Impulsos também notáveis vieram da antiarte sensório-cerebral-vivencial de Hélio Oiticica e das explorações intersemióticas da Poesia Concreta.
Oswald de Andrade, além de marcar presença com a famosa montagem de O Rei da Vela pelo Oficina, emergiu, com a disseminação do ideário e prática antropofágicos, como verdadeiro avô-avatar do movimento.
Claro, foram inúmeras as incorporações da tradição musical brasileira e da música estrangeira - até mesmo da erudita (via Duprat, Medaglia, Kolrreuter et alii).
Diante do novo contexto de hegemonia da cultura de massa, os tropicalistas (Caetano, Gil, Gal, Tom Zé, Torquato, Os Mutantes...)assumem uma postura não defensiva mas lúdica e devoradora, inserindo, em sua celebração paródica, elementos críticos sutis ou ostensivos.
Os desdobramentos do Tropicalismo na cultura criadora brasileira foram múltiplos, tanto nos anos imediatamente seguintes (do Pós-Tropicalismo) como até hoje, tendo uma última expressão coletiva vigorosa no manguebeat de Science & cia.
 
 
A atividade jornalística de Severino Francisco, que se inicia, já com uma forte marca pessoal, nos primeiros anos 80, tende, irresistivelmente, ao questionamento e à agitação cultural. Com seus textos tão lúcidos quão provocativos, tem sabido responder aos sinais artísticos e culturais brasileiros mais novos e desafiadores, revelando o que eles têm de imprescindível e relançando-os (idealmente que seja) para uma apropriação coletiva, recriadora.
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publicado por paulokauim às 20:59
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Sábado, 16 de Junho de 2012

kauim cai no mangue de cabeça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arte em Aberto: Kauim cai no mangue de cabeça!

 

 
 Arte em Aberto propõe
 
 15 ANOS SEM CÉREBRO ou SCIENCE EM EXPANSÃO 
 
no dia 18 de junho (segunda), às 19 h.,
na Livraria Sebinho (406 N).
 
 
15 anos sem cérebro
ou
science em expansão
 
não é palestra
não é defesa de tese
não é aula ( ninguém
aprende samba
no colégio )
 
trata-se
de uma conversa sobre uma conversa
( longa )
que tive com o fred 04
quando ele hospedou-se
por quase uma semana
no apartamento na colina (unb)
onde vivi
 
na varanda
entre taças de vinho
a vista para o lago
e otras cositas
fazia perguntas
e fred com sua sintaxe barroca
e sua pernambucana prosódia
ocupava a sala da colina
de:
 
chico science
mangue
hip hop
ciranda
orla orbe
embolada
loustal
bom tom rádio
lamento negro
the clash
cavaquinho
mabuse
renato L
a tábua de esmeralda
inventos
&
do it yourself
 
o luiz gonzaga vai descobrir o sertão no rio
assim como o oswald vai descobrir o brasil na europa
e o chico science descobre o mundo a partir da lama do mangue do seu quintal
 
  
 
a arte abre uma fenda
no mundo
para propor outro
 
 
 
                                                                                              
 paulo kauim
 
 
 
 
[Poeta, publicou Carruagem de Polícia (anos 80) e Demorô (2008). Arte-educador. Pratica fotografia, videografia e antenação crítica em poesia, música, audiovisual, cultura (vide internet).]

publicado por paulokauim às 00:00
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Terça-feira, 12 de Junho de 2012

100 anos de Eu, de Augusto dos Anjos: poesia e problema

 

 

 

 


O projeto Arte em Aberto convida

 
100 anos de Eu, de Augusto dos Anjos: poesia e problemas
 
por Vicente de Paulo Siqueira + Reginaldo Gontijo
 
com ensaio videofotográfico deste.
 
 
Afinal, o engenho&arte do anjo magro e torto do Pau-d'Arco, o que faz no projeto que se propõe repensar as vanguardas? Na boca errada do povo, os poemas do filho do C e do NH3 rodopiaram à toda (escarro, vômito, gozo?)! E os modernistas, nada ou quase... até que Cabral exalte sua tinta turva, que escreve negro tudo, a geometria de enterro de seus versos enfileirados...
Estamos, cem anos após, mais preparados para entender sua arte assombrosa, arrebatadora?!
 
 
VPS, no texto abaixo, vincula Augusto à tradição de ruptura (esse belo e imprescindível oxímoro) - leiam-no e estejam no
Sebinho - 406 N - no dia 13 de junho, às 19 h. ,
onde também acontece o quasevídeo (decerto um monstro de escuridão e rutilância) do Gontijo.

(Veja também a cara diáfana do vate paraibano, contra serra e várzea, e o toque precioso do Octavio Paz - em anexo.)
 
 
Os cem anos do "Eu", de Augusto dos Anjos, e a tradição da ruptura no Brasil
 
         Podemos pensar em Gregório de Matos, Sousândrade, Augusto dos Anjos e Pedro Kilkerry como os primeiros articuladores de uma tradição da ruptura, em poesia, no Brasil. 
         O que há de comum entre esses poetas e que faz com que sejam agentes nessa ruptura da tradição: negar os modelos e o pensamento de sua época; propor novo olhar, novo sangue; romper com o que se continuava, atuar como atores/autores da transgressão, com proposições estéticas, atitudes ou abordagens políticas e/ou filosóficas  que reinauguram o novo e apontam futuros na linguagem e na vida.
         No centenário do livro único de Augusto dos Anjos, "Eu", que veio a lume em 06 de junho de 1912, paramos para (re)pensar sobre o significado e os ecos atuais de sua poesia.
         No ambiente artificial do Parnasianismo/Simbolismo, em que o mais "justo" em literatura era a expressão do "sorriso da sociedade",  e em meio às mais severas adversidades,  surge a poesia de Augusto dos Anjos, versos  marcados pela tragédia, pela reversão do evolucionismo de Haeckel e Spencer aos termos de um contrassimbolismo, uma antilírica, que nega a nebulosidade e o artificialismo, que reverte, ironiza, destrona a poesia.
          O "operário da ruínas"  é também o eu lírico do poeta, a reconstruir verso a verso a sensibilidade decadente de nossa belle èpoque. O "verme" era a poética de Augusto, a viver da linguagem que decompunha; a fazer do verso decassílabo, do paradoxo, as ferramentas para a expressão de mundos em convulsão; a articular entre as palavras efeitos de cruel beleza, em lances explosivos que estremeciam e reativavam nossa tradição em poesia,  pensando em outros termos a vida, a dor, o amor, a morte; não deixando passar em branco nem a imagem tão sagrada,  naqueles tempos, do poeta, "Feto malsão, criado com os sucos / De um leite mau, carnívoro asqueroso, / Gerado no atavismo monstruoso / Da alma desordenada dos malucos".

VICENTE PAULO SIQUEIRA: Poeta, contista, ensaísta, perfomer e arte-educador. Autor dos livros O Tao da Coisa (poemas, 1995), Lâmina (contos, 2004) e Abecedário (poemas visuais, 2009). Escreve, atualmente, roteiro de filme sobre Augusto dos Anjos.
 
REGINALDO GONTIJO: Vídeo-cineasta, prosador experimental (Cituma ou O movimento da matéria, 1995) e poeta digital (DVD Infininho). Dirigiu, com Luiz Fernando Suffiati, o vídeo (de curta-metragem) Tristão e Isolda (c. 1988) e o videofilme (longa) O Mar de Mário (1988-2010), estrelado pelo cineasta Mário Peixoto. Estão concluindo longa-metragem sobre o pensador Eudoro de Sousa.
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publicado por paulokauim às 05:50
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

arte em aberto

 

 

 

 

 
projeto ARTE EM ABERTO
 
1/6 (sex)         L. C. VINHOLES                    
                                                                       "Arte em Aberto": atemporística, aespacial, atemática (comentários einformações sobre  atividades em música,poesia e arte)
 
 

 

 
Temos a rara oportunidade de assistir, nessa sexta, a  L. C. Vinholes, um compositor e poeta gaúcho que morou em diversos lugares do mundo e, já há alguns anos, está em Brasília, embora aqui permaneça praticamente ignorado do meio artístico e cultural. 
 
Sua experiência mais marcante no exterior deu-se, certamente, no Japão, para onde foi em 1957, levado por uma bolsa do governo daquele país. Lá residindo até meados dos anos 60, pôde organizar a Exposição de Poesia Concreta no Museu de Arte Moderna de Tóquio (1960 – a primeira do gênero no exterior) e a I Exposição Internacional de Poesia Concreta (Tóquio, 1964). (Posteriormente, organizará exposições de poesia concreta em Ottawa (1983), Toronto (1985) e Milão (1997).)
 
Também no Japão, travou contato com importantes músicos, artistas visuais e performáticos e poetas, entre os quais destacamos Kitasono Katsue, o patriarca da poesia de vanguarda japonesa, de quem traduzirá uma coletânea de poemas, publicada em 1983.
 
Entre as mais relevantes realizações artísticas de Vinholes estão, sem dúvida, a elaboração da técnica de composição Tempo-Espaço (1956) e a criação das primeiras músicas aleatórias brasileiras (1961-62).
 
Vale ressaltar, ainda, que Vinholes participou, como compositor ou autor convidado, de diversos encontros, nacionais e internacionais, de música e de poesia.  A riqueza de sua experiência multiartística e multicultural é justamente o tema de sua palestra, conforme ele explica no recado a seguir.
 
Caro(a)s amigo(a)s,
Às 19h do dia 1º de junho vindouro, no auditório do sebo Sebinho, na 406 Norte, Bloco C, darei uma palestra a convite [dos sobreviventes]do Grupo Heleura, do qual se comemoram 30 anos de fundação. Na minha palestra, com duração de uma hora e meia, falarei, utilizando 115 diapositivos, sobre minhas obras em música e poesia, sobre a dos poetas que conheci e minhas atividades de divulgação da música e da poesia brasileira durante os anos que vivi no Japão, Canadá e Itália. Serão apresentadas minhas peças Tempo-Espaço VIII e IX, em gravação por músicos da Orquestra Sinfônica Nacional. Encerrando o encontro, será criada uma obra coletiva. Conto com o seu apoio e sua presença. Um abraço. L. C. Vinholes
P.S.: A entrada é franca.
Nota biográfica:
Compositor e poeta. Crítico musical dos jornais Diário Popular, Opinião Pública (Pelotas 1952-53) e Diário de S. Paulo (1956-57). Foi secretário na Escola Livre de Música da Pró-Arte e do diretor H. J. Koellreutter, com quem estudou composição e flauta.

Bolsista do governo japonês (1957-59), freqüentou o Departamento de Música da Universidade Geidai e do Palácio Imperial (Tóquio). Membro da Sociedade Internacional de Música Contemporânea (SIMC-1960). Presidente-fundador do Núcleo de Artes Cênicas-NAC (Brasília 1993). Funcionário do Ministério das Relações Exteriores (1961-2004), adido cultural e de imprensa em Tóquio e Ottawa.

Criou a técnica de composição Tempo-Espaço (1956) e os parâmetros “Instruções”, que viabilizaram as primeiras músicas aleatórias brasileiras (1961 e 1962). Obras publicadas pela UnB, Novas Metas e Shin Nippaku.

Co-fundador da Sociedade Internacional de Artes Plásticas e Audio-Visuais-ISPAA (Osaka 1962) e da Associação para Estudos das Artes-ASA (Tóquio 1964). Organizou a exposição de poesia concreta no Museu de Arte Moderna (Tóquio 1960), a primeira do gênero no exterior; na Universidade de Ottawa (1983), na Universidade de Toronto (1985) e no Instituto Brasil-Itália-IBRIT (Milão 1997). Organizou a I Exposição Internacional de Poesia Concreta, com participação dos poetas dos grupos VOU e ASA (Tóquio 1964).

Poeta-convidado do Festival da Palavra do Festival Internacional de Poesia Contemporânea de Veneza, participando da noite de inauguração, compartilhada com Umberto Eco. Autor-convidado no Festival Viva Língua-Noites de Autores com Textos Originais, em Pietra Ligure (1997) Autor-convidado do Festival Internacional de Poesia Visiva (Mantova 1998).
Tradutor da coletânea Reta da Fumaça, de Kitasono Katsué (1964), publicada na revista Através, da editora Martins Fontes (São Paulo 1983) e Bosquejos dos Quatro Ventos, da canadense Nancy Passy (1979). Publica o poema-livro (polievroma) menina só, pela Aliança Cultural Brasil-Japão e Masao Ohno Editores (1994).

Compositor convidado ao VIII e X Curso Latino-Americano de Música Contemporânea, em São João del Rei (1979), Brasil e Santo Domingo, República Dominicana (1981), do IV Encontro de Compositores e Intérpretes Latino-Americanos (Belo Horizonte 2002) e do  XIV Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música-ANPPOM (Porto Alegre 1981).

Monografias e teses sobre suas composições por Mario Maia (1999), Valério Fiel da Costa (2005), Ariane Petri (1999), Maria Helena Del Pozzo (2008), Lilia de Oliveira Rosa (2008), Maria Yuka de Almeida Prado (2009) e Andersen Viana (2010).
 
Local: Livraria Sebinho
SCLN 406, Bloco C, L/ 44
Asa Norte – Brasília
(às 19:00 h)
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publicado por paulokauim às 01:15
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